terça-feira, 9 de julho de 2013

O Narcisismo, a Existencialidade Humana e o Princípio de Realidade

Narcisismo, característica que explica uma faceta humana voltada a personalidade que o indivíduo se introjeta de uma forma que tudo gira em torno de si, suas vontades, prazeres e desejos. 
O Mito de Narciso muito conhecido na mitologia grega, conta a história de Narciso, que envaidecido por sua beleza, apaixona-se por si mesmo, levando-o a um estágio de apenas admirar-se esquecendo do resto das coisas e de tudo que o circunda, quando Narciso não mais consegue perceber a sua existência e uma realidade que o cerca este se torna escravo de sua própria imagem, consumido por si mesmo este morre se separando de qualquer forma de vinculação à sua existência.
Podemos nos dias atuais verificar que esta lenda mitológica, muito explica os comportamentos que o ser humano vem desenvolvendo nas suas vivências e experiências existenciais. Percebemos que hoje não precisamos mais estar tanto em contato com o outro para nos sentirmos bem e aceitos, podemos ser através das tecnologias instaladas aquilo que quisermos ser. Em um curto espaço de tempo, podemos montar o nosso avatar em jogos e dar o formato que desejamos a nós mesmos, podemos em uma sala de chat, mudar nossa identidade e adquirirmos uma pseudopersonalidade, interessante, não?!
O se humano atualmente procura ver no espelho a sua imagem refletida, não daquilo que ele realmente é, mas daquilo que ele pode vir a ser e ir se moldando e transformando de acordo com o que lhe convém, buscando em si a beleza, a vaidade, o desejo e prazer por si mesmo, tornando estas mudanças em rituais que muitas vezes se tornam desenfreadas, desestruturando e causando uma disfunção de ordem psíquica e comportamental, onde muitas vezes já não se percebe mais dentro de uma realidade.
Consumido pelo mundo de vaidades e egoísmo doentio o ser humano se vende, neste escambo de emoções e consumismo, o ser humano deixa de perceber o outro e entender a necessidade de estarem com o semelhante, às doenças da instância psíquica neste momento se tornam inevitáveis. O ser humano que até então só era absorto em si mesmo, começa também a separar do princípio de realidade e volta-se cada vez mais para si, se separando daquilo que o nutria e o mantinha vivo em termos de existencialidade, neste momento perde-se toda a noção do que era permitido, na instância do ego.
Quando falamos de separação neste estágio da psique humana, colocamos o lado doentio do ser humano, onde este maltrata, corrompe e expropria do outro para simplesmente fazer valer a sua vontade e necessidade. A separação assim faz com que o ser humano caminhe para morte, levando-o a um estágio de sofrimento que o deprime e o exília do verdadeiro sentido da vida.
Muitas neuroses contemporâneas têm suas raízes nesta instância narcísica do ser que não deixa experienciar sua própria existência, o sofrimento leva a uma depressão, pânico, fobia e o medo incondicional da existência humana, o ser humano deixa de perceber o óbvio, ou seja, aquilo que é real, para viver escravo de uma realidade ao qual não existe.


Filme Indicado: O Retrato de Dorian Gray

Londres. Dorian Gray (Ben Barnes) é um belo e ingênuo jovem, levado à alta sociedade local por Henry Wotton (Colin Firth), que lhe apresenta os prazeres hedonistas da cidade. Basil Hallward (Ben Chaplin), um artista que frequenta este meio, resolve pintar um retrato de Dorian, de forma a capturar sua beleza jovial. Ao ver o quadro Dorian faz a promessa de que daria tudo, até mesmo sua alma, para permanecer sempre com o visual nele estampado. A partir de então Dorian não mais envelhece, mas todos os pecados que comete e a idade que chega são demonstrados no retrato, cada vez mais terrível. Para que ninguém mais o veja, Dorian decide esconder o retrato no sótão de sua casa. 











                

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