O Narcisismo, a Existencialidade
Humana e o Princípio de Realidade
Narcisismo,
característica que explica uma faceta humana voltada a personalidade que o
indivíduo se introjeta de uma forma que tudo gira em torno de si, suas
vontades, prazeres e desejos.
O Mito de Narciso
muito conhecido na mitologia grega, conta a história de Narciso, que
envaidecido por sua beleza, apaixona-se por si mesmo, levando-o a um estágio de
apenas admirar-se esquecendo do resto das coisas e de tudo que o circunda,
quando Narciso não mais consegue perceber a sua existência e uma realidade que
o cerca este se torna escravo de sua própria imagem, consumido por si mesmo
este morre se separando de qualquer forma de vinculação à sua existência.
Podemos
nos dias atuais verificar que esta lenda mitológica, muito explica os
comportamentos que o ser humano vem desenvolvendo nas suas vivências e
experiências existenciais. Percebemos que hoje não precisamos mais estar tanto
em contato com o outro para nos sentirmos bem e aceitos, podemos ser através
das tecnologias instaladas aquilo que quisermos ser. Em um curto espaço de
tempo, podemos montar o nosso avatar em jogos e dar o formato que desejamos a
nós mesmos, podemos em uma sala de chat, mudar nossa identidade e adquirirmos
uma pseudopersonalidade, interessante, não?!
O se
humano atualmente procura ver no espelho a sua imagem refletida, não daquilo
que ele realmente é, mas daquilo que ele pode vir a ser e ir se moldando e
transformando de acordo com o que lhe convém, buscando em si a beleza, a
vaidade, o desejo e prazer por si mesmo, tornando estas mudanças em rituais que
muitas vezes se tornam desenfreadas, desestruturando e causando uma disfunção
de ordem psíquica e comportamental, onde muitas vezes já não se percebe mais
dentro de uma realidade.
Consumido
pelo mundo de vaidades e egoísmo doentio o ser humano se vende, neste escambo
de emoções e consumismo, o ser humano deixa de perceber o outro e entender a
necessidade de estarem com o semelhante, às doenças da instância psíquica neste
momento se tornam inevitáveis. O ser humano que até então só era absorto em si
mesmo, começa também a separar do princípio de realidade e volta-se cada vez
mais para si, se separando daquilo que o nutria e o mantinha vivo em termos de
existencialidade, neste momento perde-se toda a noção do que era permitido, na instância
do ego.
Quando
falamos de separação neste estágio da psique humana, colocamos o lado doentio
do ser humano, onde este maltrata, corrompe e expropria do outro para
simplesmente fazer valer a sua vontade e necessidade. A separação assim faz com
que o ser humano caminhe para morte, levando-o a um estágio de sofrimento que o
deprime e o exília do verdadeiro sentido da vida.
Muitas
neuroses contemporâneas têm suas raízes nesta instância narcísica do ser que
não deixa experienciar sua própria existência, o sofrimento leva a uma
depressão, pânico, fobia e o medo incondicional da existência humana, o ser
humano deixa de perceber o óbvio, ou seja, aquilo que é real, para viver
escravo de uma realidade ao qual não existe.
Filme Indicado: O Retrato de Dorian Gray
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