Titulo original: Como água para chocolate
Gênero: Drama
Origem – ano: MEX – 1992
Direção: Afonso Arau
Elenco:
Marco Leonardi – Pedro
Lumi Cavazos – Titã
Regina Torne – Mama Elena
Mario I. Martinez – Doctor John Brown
Ada Carrasco – Nacha
Yareli Arismendi – Rosaura
Claudette Mille – Gertrudis
Pilar Aranda – Chencha
Farnesio de Bernal – Cura
Joaquin Garrido – Sargento Trevino
Rodolfo Arias – Juan Alejandrez
Maragrita Izabel – Paquita Lobo
Sandra Arau – Esperanza
Andrés Garcia Jr – Alex
Regino Herrera – Nicolas
Sinopse: Baseado em romance do mesmo nome de Laura Esquivel, conta a historia de um camponês chamado Pedro (Marco Leonardi) que, em 1910, em plena Revolução Mexicana, se apaixona por Titã (Lumi Cavazos). Podia ser apenas uma historia de amor, mas trata-se de um dos mais belos filmes do cinema latino-americano em todos os tempos. Foi à produção estrangeira de maior bilheteria nos Estados Unidos em 1993.
Analise:
Como Água para Chocolate conta a história de uma mulher que desde o seu nascimento teve seu destino traçado por sua mãe, que diante da cultura mexicana da época a última filha a nascer nunca poderia se casar teria que cuidar da mãe até a sua morte.
No filme pode-se perceber certos ritos que formam a organização familiar e que possuem uma vinculação genética ou histórica. Podemos ilustrar esta passagem quando a mãe de Tita fala que ela não poderá se casar, mas ficará cuidando dela como sempre foi feita com as filhas caçulas daquela família.
De acordo com a teoria dialética das relações, as relações humanas consistem em uma hierarquia de obrigações, algumas manifestas e outras encobertas. A relação familiar de Tita muitas das vezes entrava em conflito com os ideais de ambos gerando um desequilíbrio na organização familiar, principalmente por conta do casamento de sua irmã com Pedro.
Na cena quando Tita adoece e vai se tratar com o Dr. John Brown, quando recobra a consciência, fala a Chencha que não vai mais voltar para a casa, abandona fisicamente a sua família, neste momento podemos perceber que causa uma mudança no sistema familiar.
Tita mantém um romance com seu cunhado, sendo noiva do Dr. Brown com casamento marcado, esta revela ao Doutor assumindo toda a sua culpa, que não pode se casar com ele devendo ficar sozinha. Nas lealdades familiares muitas das vezes seus membros assumem a culpa colocando para elas certos papéis.
Rosaura no filme representa em sua figura frágil e doente um certo grau de lealdade original onde as suas obrigações não são resolvidas diante da família de origem, ela não conseguiu cuidar de sua filha Esperanza.
Naggy coloca que as lealdades podem ser revistas a nível de terapia em vínculos de três gerações. No filme a filha de Esperanza narra a história da família. O autor também coloca que nas lealdades negativas sempre um membro da família é tomado de vítima para encobrir as lealdades passadas; a mãe de Tita traíra o pai e teria que mostrar-se uma mulher forte e íntegra mesmo que mascarando a verdade e subjugando a filha.
Quando Tita perde o sobrinho filho de Rosaura ao qual cuidou e amamentou criando um vinculo, com a sua perda e morte da criança passa por um processo de perda de entes queridos que a deixa emocionalmente abalada.
Pedro afastou Rosaura de si, negando-a enquanto mulher e esposa, o autor coloca que um cônjuge pode rechaçar o seu parceiro como um movimento em busca de um equilíbrio tentando apaziguar os pais reais ou internos.
No filme como Água para Chocolate podemos perceber o conceito de parentalizaçao em que se espera da filha que seja obediente e que atue de acordo com a posição superiora, no caso a mãe constitui uma força para o reforço familiar (Tita e sua mãe), a dificuldade está em desenvolver a autonomia individual da filha.
De acordo com Naggy as fases de nossa vida estão ligadas as seguintes expectativas: com o casamento, o casal deve um compromisso de lealdade e fidelidade à família de origem, cultura, valores e religião, lealdades aos filhos fruto do casamento, passar as lealdades para as próximas gerações que virão relações sexuais não são permitidas em laços cosagüíneos, apoio à família nuclear, lealdade com a família e a sociedade ao qual pertencem e integridade no sistema familiar, procurando manter novas relações e adaptações para as novas mudanças que virão a surgir.
Um membro da terceira geração da família ao contar a história de seus antepassados, remonta todo um processo de lealdades que tornaram vivos e que construíram um sistema familiar e que este obtendo lealdades negativas, simbióticas pode dar continuidade a todo um processo de construção e reconstrução da família.
O filme Como Água para Chocolate mostra como uma relação familiar e a lealdade entre seus membros podem conter aspectos constituintes que reforçam a relação de parentalização dos seus membros e a perpetuação de gerações futuras, unindo aos estudos de Naggy, pode-se obter maior compreensão das Lealdades no contexto familiar.
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